ERIC VLATKOVIC

ERIC, VOLUNTÁRIO DO PROJETO ANDAR DE NOVO

“Geralmente, nos lugares que frequento, seja no basquete ou na reabilitação, encontro muitos jovens que sofreram lesões e estão em cadeiras de rodas. O que fica claro, ao olhar para eles, é ver que eu estive na mesma situação, mas que tudo se ajustou. Para alguns, demora mais, para outros, menos. Não é o fim do mundo, como pensei no começo. Sozinho, seria muito difícil. No meu caso, a minha família foi tudo que tive.

Minha lesão ocorreu após uma queda de sete metros. A princípio, eu não havia percebido a gravidade do acidente. Depois que saí do hospital, estava totalmente perdido. O primeiro passo foi procurar uma clínica de reabilitação, a AACD. Foi quando surgiu o convite para participar como voluntário do Projeto Andar de Novo. Eu não sabia ao certo o que aconteceria. Mas suspeitava que se tratasse de algo grandioso e, principalmente, esperançoso.

No início, senti algumas dificuldades. Precisava controlar e manipular meus pensamentos, para me concentrar e poder enviar sinais à máquina. Depois de alguns dias, fui me habituando. Ao utilizar pela primeira vez o exoesqueleto, senti de novo a sensação de ficar em pé, após mais de três anos na cadeira de rodas. Algo indescritível para mim.

Passou um tempo até que eu conseguisse me movimentar no exoesqueleto. Os primeiros testes serviram de ajustes da máquina ao corpo de cada paciente, inclusive ao meu. Depois, fomos treinando os primeiros passos, até chegarmos ao chute da bola, nos meses que antecederam a abertura da Copa do Mundo.

Após o evento, li de tudo nas redes sociais, tanto o lado bom quanto o lado ruim. Mas, como voluntário posso afirmar que sim, é um projeto que deu certo. Estamos aqui há mais de um ano e meio e todos nós que treinamos no exoesqueleto tínhamos condições para dar o chute na bola no dia da abertura do campeonato. O Juliano foi o escolhido entre nós e representou toda a equipe. Foi uma vitória de todos, emocionante. Talvez, se estivéssemos todos em campo, no jogo contra a Alemanha, o Brasil não teria tomado todos os gols da derrota (risos).

Quando falo do projeto para as pessoas, dificilmente elas entendem que através do cérebro podemos controlar nossos movimentos. Tecnicamente, eu também não sei explicar, mas somos capazes, sim, de poder caminhar de novo.

Pode até ser que eu não me beneficie desta descoberta científica, mas outras pessoas, no futuro, o farão. Somos voluntários que estamos abrindo portas para que outros deficientes físicos se beneficiem. O bom será lembrar que quem começou esse projeto fomos nós”.